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A Cruz Negra Anarquista de Porto Alegre surge a partir das motivações e ânsias de um grupo 
de  individualidades, que, a partir de suas próprias afinidades, passa a se reunir mais 
periodicamente no intuito de alimentar e fortalecer a solidariedade com xs companheirxs presxs 
e perseguidxs pelo poder, dentro do atual contexto que estamos vivendo, onde ao mesmo 
tempo em que a revolta e a insubmissão se afiam, a repressão engrossa. Partimos da ideia que é 
somente a partir de um fortalecimento das próprias relações que podemos atravessar as grades e 
expandir a nossa solidariedade e força as/aos guerreirxs presxs. Com a chegada do ano de 2014 
vemos como se intensificam os projetos de expansão do Capital que encontram na Copa do 
Mundo um momento de auge, as justificativas para acelerarem todo tipo de violação e destruição 
da vida, percebemos também a força construtiva que surge a partir da explosão de revolta que 
começou em junho do ano passado. Dentro desta maré agitada são cada vez mais xs piratas que 
se dispõem a navegar no rumo da reapropriação de suas vidas e a assumir as possíveis 
consequências de estar em meio a esta tempestade.

A Cruz Negra Anarquista nasce no fim do século XIX na Rússia, em meio a um momento de 
intensa luta e agitação, com o intuito de prestar um apoio direto as/aos prisioneirxs anarquistas, 
juntar dinheiro para as famílias e para a propaganda anarquista e anti-carcerária. Ao longo do 
século renasce em diferentes partes e momentos, sempre mantendo esse caráter, mas nunca se 
tratando de uma organização, mas sim de uma coordenação de diferentes e multiformes grupos 
e individualidades. 

Quando decidimos por utilizar este nome é por nos encontrarmos e identificarmos nesta história, 
dando continuidade e mantendo esta luta viva.  Como coletivo buscamos fortalecer as redes de 
comunicações com xs presxs, dentro do território controlado pelo estado brasileiro e fora dele; 
também sentimos a vital importância de gerar e propagar uma cultura de memória, onde 
nenhuma/um guerreirx jamais seja esquecido, que nenhum golpe do poder passe em branco, que 
xs presxs não se sintam sós e xs mortxs sejam sempre lembradxs.

Hoje nos sentimos a continuação de uma luta ancestral, que neste território se levanta a 514 
anos contra a ordem imposta e que seguirá enfrentando esta lógica carcerária enquanto ela se 
perpetue. Vemos a luta contra as prisões como o seguimento da luta pela Terra em si, contra as 
fronteiras e pela recuperação das nossas vidas. Se bem sabemos que não  existe nada mais 
anti-natural que trancar corpos em espaços delimitados, enclausuradxs pela manutenção da “paz 
democratica”; não esquecemos que a prisão não é nada mais que uma extensão da sociedade na 
qual vivemos,  onde a terra se voltou objeto de disputa do agro-negócio e da exploração do 
mercado energético, onde o que chamam de Vida  acabou se reduzindo a processos meramente 
mecânicos e repetitivos de relações sociais fomentadas por interesses e alimentadas pela 
hipocrisia diária. Assim, lutar  contra as prisões é sobretudo, lutar pelas nossas Vidas e a dxs 
nossxs afins, é decidir alimentar nosso sangue no olho e apagar o medo que o poder quer nos 
fazer incorporar diariamente, e, com o punho fechado  a/ao inimigx e a mão estendida a/ao 
companheirx, criar novas formas de rebeldia nutrindo-nos das lutas presentes e passadas...

É assim que pretendemos expandir o propósito da CNA, vendo nela uma iniciativa, um convite 
para refletir sobre as estratégias e práticas, afiando nossas ideias, com a ânsia de intensificar, 
dinamizar e diversificar ao máximo os ataques contra o sistema carcerário, dentro e fora das 
prisões. Criar laços, multiplicar a propaganda, contribuir a que surjam mais atividades, conversar 
para expandirmos nossas ideias, encarando nossas vidas como trincheiras andantes em caminhos 
de uma busca incansável por viver a anarquia.

 Saúde, solidariedade e tormenta!!!

cnapoa@riseup.net


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