O novo numero da revista Kataklismx, publicação da Cruz Negra Anarquista de Porto Alegre

Capa1 para baixar:

http://www.mediafire.com/view/8wo9nv188dh5gh2/Kataklismx_PRONTA.pdf

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COmpanheirxs presxs na Operação Pandora, Karcelona

No dia 16 de dezembro, às 5 horas da madrugada, a polícia espanhola realizou em Barcelona e Madri uma grande operação chamada “Pandora”, contra um suposto “terrorismo anarquista”, tendo como alvo o movimento libertário.

Em Barcelona, a polícia catalã invadiu a Kasa de la Muntanya, histórico espaço ocupado que está completando 25 anos de atividade, o Ateneu Libertário de San Andrés, o Ateneu Anarquista de Poble Sec e pelo menos 10 domicílios particulares, entre casas e apartamentos. Cumprindo ordens do Tribunal Nacional, mais de 400 policiais participaram na mega operação, até um helicóptero com um poderoso holofote foi usado para iluminar o espaço da ação. Diversas ruas foram bloqueadas.

Até agora (parte da manhã) foram presas 15 pessoas, a maioria em Barcelona, mas também outra pessoa foi detida em Madri. Na Kasa de la Muntanya os agentes registraram quarto por quarto do imóvel. A polícia apreendeu telefones, computadores, agendas e aparelhos eletrônicos.

 Lista completa de endereços dxs companheirxs detidxs na“Operação Pandora” e conta solidária

 

Beatriz Isabel Velazquez Dávila
Lisa Sandra Dorfer

  1. P. Madrid VII – Estremera
    Ctra. M-241
    28595 Estremera
    Madrid
    España/Espanha

Alba Gracia Martínez
Noemí Cuadrado Carvajal
Anna Hernandez del Blanco

  1. P. Madrid V – Soto del Real
    Carretera M-609, Km 3,5
    28791 Soto del Real
    Madrid
    España/Espanha

Enrique Balaguer Pérez

  1. P. Madrid VI – Aranjuez Ctra.
    Nacional 400, Km. 28
    28300 Aranjuez
    Madrid
    España/Espanha

David Juan Fernández

  1. P. Madrid III – Valdemoro Ctra.
    Pinto-San Martín de la Vega, km. 4,5
    28340 Valdemoro
    Madrid
    España/Espanha

Número da conta em solidariedade com xs companheirxs detidxs na “OperaçãoPandora” em Barcelona e Madri:   ES68 3025 0001 19 1433523907 (Caixa d’Enginyers)

karcelona

 

barcelonaForça axs companheirxs presxs! e força axs companheirxs da Kasa de la Muntanya!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Chamado internacional para ações de solidariedade xs presxs da Copa

No dia 12 de julho, na véspera da final da Copa do Mundo, a Polícia do Rio de Janeiro prendeu 19 ativistas, visando desarticular o grande protesto marcado para o dia da final, sob a justificativa de que elxs teriam participado de atos “violentos” nas revoltas do ano passado e de que estariam planejando outras ações na manifestação da final da Copa do Mundo. No total 23 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária foram cumpridos contra pessoas acusadas de participar de movimentos sociais, os mandatos eram de 5 dias de prisão preventiva, 4 pessoas conseguiram escapar do sequestro da policia.

Xs ativistas foram levados à Cidade da Policia no Rio de Janeiro, um grande complexo de delegacias construído para dar conta da repressão àquelxs que contestam os mega-eventos e a lógica da cidade mercado. Nesse grande complexo se encontra a DRCI, Delegacia de Repressão aos crimes de Informática, que desempenha atualmente o papel da histórica Delegacia de Ordem Política e Social, a famigerada DOPS criada em 1924 para reprimir xs anarquistas, utilizada principalmente durante o Estado Novo e mais tarde no Regime Militar de 1964, com o objetivo de controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Em seguida foram todxs encaminhadxs para o complexo penitenciário de Bangu.

Alguns dias depois foi concedido um habeas corpus que libertou 18 dos ativistas que estavam presxs. Logo em seguida, a justiça decretou novamente a prisão dessas 18 pessoas, que no entanto escaparam e permaneceram foragidxs. Camila, Igor Pereira e Elisa (Sininho) continuaram presxs por volta de 10 dias, quando foi concedida liberdade provisória à todxs, menos para Caio Silva e Fábio, presos em janeiro deste ano acusados de homicídio. Xs ativistas passam por um momento difícil de criminalização e perseguição, mesmo esperando julgamento em liberdade, não podem deixar a cidade nem participar de manifestações e aglomerações públicas. Nesse mês de dezembro, Igor Mendes foi preso novamente e mais 2 compas ficaram foragidxs, acusadxs de descumprirem a ordem judicial e terem participado de um ato público pacífico no último 15 de outubro, representando, segundo a justiça, uma ameaça a ordem pública. Mais prisões podem surgir a qualquer momento e os julgamentos que acontecem ao longo dos próximos meses ainda pode levá-los a condenação. A Polícia afirmou que as prisões são baseadas em investigações que vem ocorrendo em segredo de justiça desde Setembro de 2013 contra a Frente Independente Popular (FIP), black blocs e outros grupos de ativistas, acusados de formação de quadrilha. A metodologia da polícia é o monitoramento, e a quebra do sigilo e da privacidade das pessoas. Xs 23 militantes são indiciados por uma extensa e absurda lista de infrações que vão desde quadrilha armada, até porte de explosivo, depredação de patrimônio público e privado, resistência e lesão corporal, e corrupção de menores.

O estado que fez mais presas e presos no Rio pra que pudesse ocorrer uma partida futebol é o mesmo estado que fecha escolas, que mata nas favelas e que fez a Copa. Com essas prisoes o Estado brasileiro escreveu mais uma página em sua história, foi o dia em que todas as máscaras caíram, nem só a do Estado, mas também de partidos e grupos que o querem como ele é, que participam dessa tal democracia, dessa tal representatividade parlamentar. Neste dia o Estado disse com todas as letras “GUERRA CONTRA O POVO”, não de forma subliminar, mas pra quem quisesse ouvir. Nas favelas já se sabe disso há muito tempo, as marchas de junho/julho de 2013 também tentaram avisar, mas dessa vez foi em horário nobre e com todas as letras. Onde toda a população viu que o mesmo Estado que cria as leis às rompe quando bem entende, assim como sempre fez com a população pobre e negra durante toda a história de genocídios do Estado brasileiro.

Convidamos à todxs a organizar ações em solidariedade xs presxs da Copa em sua cidade. Não podemos nos calar diante da terrorismo de Estado do governo brasileiro e da ditadura da FIFA. Todos sabem da importância das revoltas em massa que ocorreram no Brasil desde junho de 2013 até agora, pois foram um marco na história desse povo, um momento de ruptura com as estruturas vigentes, um grito de basta para diversas opressões e violências históricas contra o povo. As forças de repressão querem a todo custo conter a indignação da população amedrontando xs ativistxs por meio da perseguição, querem retomar o controle e conformar as pessoas à voltarem a miséria da vida cotidiana e para isso estão dispostas a jogar na cadeia todxs aquelxs que não recuarem nessa luta. Nossxs companheirxs precisam de todo o apoio para vencermos mais essa batalha e se manterem nas ruas, nas assembleias e na mobilização popular.

Nenhum passo atrás! Ninguém fica pra trás! Pelo fim imediato das perseguições!

Lista dxs indiciadxs no caso:

– Elisa Sanzi (Sininho), Luiz Carlos Rendeiro Junior, Gabriel Marinho, Karlayne Pinheiro (Moa), Eloisa Samy, Igor Mendes, Camila Jourdan, Igor D’Iicarahy, Drean Moraes, Shirlene Feitoza, Andressa Feitoza, Leonardo Baroni, Emerson da Fonseca, Rafael Caruso, Filipe Proença, Pedro Freire, Felipe Frieb, Pedro Brandão, Bruno Machado, André Basseres, Joseane Freitas, Rebeca Martins, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel

Dezembro de 2014,

Cruz Negra Anarquista – Rio de Janeiro

Chamado Internacional de Solidariedade axs Presxs da Copa

lib

Retiramos de CNARIO

Chamado internacional para ações de solidariedade xs presxs da Copa

No dia 12 de julho, na véspera da final da Copa do Mundo, a Polícia do Rio de Janeiro prendeu 19 ativistas, visando desarticular o grande protesto marcado para o dia da final, sob a justificativa de que elxs teriam participado de atos “violentos” nas revoltas do ano passado e de que estariam planejando outras ações na manifestação da final da Copa do Mundo. No total 23 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária foram cumpridos contra pessoas acusadas de participar de movimentos sociais, os mandatos eram de 5 dias de prisão preventiva, 4 pessoas conseguiram escapar do sequestro da policia.

Xs ativistas foram levados à Cidade da Policia no Rio de Janeiro, um grande complexo de delegacias construído para dar conta da repressão àquelxs que contestam os mega-eventos e a lógica da cidade mercado. Nesse grande complexo se encontra a DRCI, Delegacia de Repressão aos crimes de Informática, que desempenha atualmente o papel da histórica Delegacia de Ordem Política e Social, a famigerada DOPS criada em 1924 para reprimir xs anarquistas, utilizada principalmente durante o Estado Novo e mais tarde no Regime Militar de 1964, com o objetivo de controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Em seguida foram todxs encaminhadxs para o complexo penitenciário de Bangu.

Alguns dias depois foi concedido um habeas corpus que libertou 18 dos ativistas que estavam presxs. Logo em seguida, a justiça decretou novamente a prisão dessas 18 pessoas, que no entanto escaparam e permaneceram foragidxs. Camila, Igor Pereira e Elisa (Sininho) continuaram presxs por volta de 10 dias, quando foi concedida liberdade provisória à todxs, menos para Caio Silva e Fábio, presos em janeiro deste ano acusados de homicídio. Xs ativistas passam por um momento difícil de criminalização e perseguição, mesmo esperando julgamento em liberdade, não podem deixar a cidade nem participar de manifestações e aglomerações públicas. Nesse mês de dezembro, Igor Mendes foi preso novamente e mais 2 compas ficaram foragidxs, acusadxs de descumprirem a ordem judicial e terem participado de um ato público pacífico no último 15 de outubro, representando, segundo a justiça, uma ameaça a ordem pública. Mais prisões podem surgir a qualquer momento e os julgamentos que acontecem ao longo dos próximos meses ainda pode levá-los a condenação. A Polícia afirmou que as prisões são baseadas em investigações que vem ocorrendo em segredo de justiça desde Setembro de 2013 contra a Frente Independente Popular (FIP), black blocs e outros grupos de ativistas, acusados de formação de quadrilha. A metodologia da polícia é o monitoramento, e a quebra do sigilo e da privacidade das pessoas. Xs 23 militantes são indiciados por uma extensa e absurda lista de infrações que vão desde quadrilha armada, até porte de explosivo, depredação de patrimônio público e privado, resistência e lesão corporal, e corrupção de menores.

O estado que fez mais presas e presos políticos no Rio pra que pudesse ocorrer uma partida futebol é o mesmo estado que fecha escolas, que mata nas favelas e que fez a Copa. Com essas prisoes o Estado brasileiro escreveu mais uma página em sua história, foi o dia em que todas as máscaras caíram, nem só a do Estado, mas também de partidos e grupos que o querem como ele é, que participam dessa tal democracia, dessa tal representatividade parlamentar. Neste dia o Estado disse com todas as letras “GUERRA CONTRA O POVO”, não de forma subliminar, mas pra quem quisesse ouvir. Nas favelas já se sabe disso há muito tempo, as marchas de junho/julho de 2013 também tentaram avisar, mas dessa vez foi em horário nobre e com todas as letras. Onde toda a população viu que o mesmo Estado que cria as leis às rompe quando bem entende, assim como sempre fez com a população pobre e negra durante toda a história de genocídios do Estado brasileiro.

Convidamos à todxs a organizar ações em solidariedade xs presxs da Copa em sua cidade. Não podemos nos calar diante da terrorismo de Estado do governo brasileiro e da ditadura da FIFA. Todos sabem da importância das revoltas em massa que ocorreram no Brasil desde junho de 2013 até agora, pois foram um marco na história desse povo, um momento de ruptura com as estruturas vigentes, um grito de basta para diversas opressões e violências históricas contra o povo. As forças de repressão querem a todo custo conter a indignação da população amedrontando xs ativistxs por meio da perseguição, querem retomar o controle e conformar as pessoas à voltarem a miséria da vida cotidiana e para isso estão dispostas a jogar na cadeia todxs aquelxs que não recuarem nessa luta. Nossxs companheirxs precisam de todo o apoio para vencermos mais essa batalha e se manterem nas ruas, nas assembleias e na mobilização popular.

Nenhum passo atrás! Ninguém fica pra trás! Pelo fim imediato das perseguições!

Dezembro de 2014,

Cruz Negra Anarquista – Rio de Janeiro

ESTADO EXECUTA MAIS PRISÕES NO RIO DE JANEIRO

Retiramos de CNARIO

A Polícia civil (DRCI) executou na manhã dessa quarta feira, 3/12/14, mais prisões às pessoas perseguidas por mobilização política desde junho até a copa do mundo. Igor Mendes foi preso de manhã em casa E JÁ SE ENCONTRA PRESO EM BANGU. A informação até agora é de que outros 3 mandatos foram expedidos para Moa, Gabriel e Sininho, que se encontram foragidxs. Não se sabe o motivo das prisões, especula-se que a acusação seja o descumprimento de alguma exigência do Habeas Corpus, como a interdição de mobilizações políticas.

BASTA DE PERSEGUIÇÕES!

LIBERDADE JÁ A TODXS XS PRESXS POLÍTICXS!

PELO FIM DOS PROCESSOS! VANDALO É O ESTADO QUE ASSASSINA NOSSO POVO!.

O presídio Central começa a ser demolido

O presídio Central começa a ser demolido

O presídio central do porto alegre esta sendo desalojado, xs presxs são transferidos e a demolição do pavilhão C começou hoje.

A futura construção dum Shopping no prédio do presídio não vai apagar toda a historia de repressão, de encaxonamento humano e mental que é e foi esta prisão: instrumento de controle e castigo de esta sociedade “civilizada”.

E incrível que faz mais o menos um mês, a decisão de proibir a revista intima foi anunciada como um grande avance nos direitos humanos, falando de respeito a dignidade dos visitantes, anunciando esta proibição ao mesmo tempo que o presídio ia ficando sem presxs e se preparando para ser demolido.

Postamos algumas fotos do presídio para não esquecer o que é a justiça e seu sistema penitenciário.

158083331607414016942833 16947955 pcpa 39 Tarso diz que recebeu o Central, em 2011, com 5.300 presos.

ATUALIZAÇÃO DO RAFAEL BRAGA: ELE CONSEGUE O BENEFICIO DE TRABALHO EXTRAMUROS

Rafael Braga consegue o beneficio de trabalho extramuros

 

O morador de rua, Rafael Braga, conseguiu sua primeira vitória na justiça na noite desta quarta-feira (08/10). A juíza Ana Paula Filgueiras Massa Ramos, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), concedeu o benefício de trabalho extramuros para Rafael Braga Vieira.

Segundo a decisão, Rafael Braga Vieira tem requisitos legais para obter o benefício, como ficha de transcrição disciplinar e relatório social.

Rafael Braga Vieira vai trabalhar no escritório de advocacia João Tancredo, no Centro da cidade, como auxiliar de serviços gerais. A carga horária será de nove horas, das 9h às 18h, de segunda a sexta-feira. O trabalho será fiscalizado pelo SCIF.

retirado de CNARIO

Grécia: Antonis Stamboulos, companheiro anarquista é detido: ele esta em greve de fome desde o 6 de outubro + Comunicado e chamada a solidariedade

Grécia: o anarquista Antonis Stamboulos é detido e esta em greve de fome e sede

No dia 1 de Outubro de 2014, Antonis Stamboulos foi detino em Atena Grécia. Ele ficou sob prisão preventiva enfrentando acusações de terrorismo.

No dia 6 de Outubro, mediante uma carta aberta, o companheiro anunciou greve de fome e sede denunciando o fato de estar recluso no centro de transferência de prisioneiros de Atenas.

Enquanto isso, o companheiro cativo foi retratado, entre outras coisas, como um dos principais membros do grupo de guerrilha urbana Luta Revolucionária, como co-perpetrador de um assalto a banco em Kleitoria (Achaea, Grécia), como alegado sucessor do companheiro assassinado Lambros Foundas, enquanto os porta-vozes do Poder espalhavam que a procurada anarquista Pola Roupa com o filho, tinham supostamente sido vistos nos degraus do seu apartamento, na rua Kallifrona em Kypseli (o que foi considerado uma “casa segura”). Enquanto isso, informantes presunçosos e outros delatores ridículos têm estado dispostos a testemunhar contra ele (por exemplo, um vizinho da casa dos pais afirmou ter ouvido explosões do porão da casa).

O fato da bófia o levar para o centro de transferência – apesar do pedido do Ministério Público para a sua transferência à prisão de Koridallos – revela que estão a tentar mandá-lo para outra prisão remota, de forma a destroçar não tanto a ele mas os seus parentes, que serão forçados a viajar durante horas para o visitar na prisão, mas também para tornar o trabalho da sua advogada de defesa mais difícil do que já é.

Antonis Stamboulos afirmou que não vai deixar os vermes da policia antiterrorista e os seus chefes políticos destroçarem os seus entes próximos.

É por isso que, antes mesmo de ser anunciado para onde estão a planear enviá-lo, advertiu que não aceita ser levado para outro lugar que não seja Koridallos, perto de sua família e advogada.

 

Grécia: Comunicado do Antonis Stamboulos

“Sede da polícia, políticos e jornais; nomes diferentes, mesma espécie suína “

 

No dia 1 de Outubro de 2014, fui detido e levado com uma capucha na cabeça para uma sala de interrogatório da unidade antiterrorista. Das 17:00 até à 01:00 da manhã, um grupo de bófias encapuçados – e enquanto eu estava algemado atrás das costas – levaram à força amostras de ADN, as minhas impressões digitais e tentaram fotografar-me, no meio de ironias, estrangulamentos com braço, braços torcidos, espancamentos e ameaças de choques eléctricos, pensando que dessa forma me fariam colaborar. À 01:00 da manhã vi pela primeira vez bófias não encapuçados que me disseram que estava acusado de terrorismo. Até às 05:30 da manhã, numa cela 1 × 3, mantiveram-me, sempre algemado atrás das costas. No dia seguinte, tentaram mais uma vez fotografar-me.

Quanto a mim, abstive-me de comer e beber desde o primeiro instante e exigi falar com um advogado. Após 24 horas de detenção permitiram-me, por fim, notificar uma advogada e encontrar-me com ela apenas por alguns minutos, antes de passar pelo procurador do Ministério Público.

Tudo isso o descrevo como uma pequena experiência de luta para xs companheirxs.

A atitude do Estado em relação a nós – quer seja moderada ou forte, isto é sempre relativo – nunca conseguirá dobrar-nos enquanto conscientes da responsabilidade que decorre da nossa posição como anarquistas, durante os momentos em que nos colocam à prova.

Porque são os tempos difíceis na luta os que nos temperam com uma consciência forte. Nessas circunstâncias, cada um de nós é o guardião dos ideais da sociedade pela qual luta para criar. Muito sangue foi derramado na luta pela emancipação da sociedade de classes e, portanto, seria ridículo dobrar-nos perante quaisquer brutalidades da bófia. Eu mantive uma posição negativa perante os esforços dos lacaios do Estado para obter os meus dados, por dois motivos. Primeiro, por causa de meus próprios valores, porque acho que é responsabilidade de cada anarquista revolucionário não dar nem um milímetro de terreno ao inimigo de classe. Depois, porque sendo consciente da gravidade das acusações atribuídas, queria proteger o meu entorno de companheiros e amigos dos corvos que me capturaram. Enquanto os Clouseau foram incapazes de descobrir o meu nome eu não estive disposto a o dar. No momento da escrita destas linhas, dois dias depois da minha detenção, a polícia “finalmente” conseguiu encontrar o meu nome.

É claro que os oficiais dos serviços anti-terroristas, e sobretudo os seus superiores políticos, esperavam ter pescado algo grande, daí as divulgações à imprensa relacionadas com o bloco de notas contendo “itinerários cronometrados”, objectivos de ataque, bicicletas e salsichas.* Cortando e costurando fabricam uma história para o seu próprio cenário. Um cenário que, no final, deve sempre mostrá-los como vencedores.

O que eu fiz, quem eu sou e porque estava no local onde fui preso não é assunto da bófia e do ministério publico, mas meu. Portanto, não vou oferecer uma apologia aos guardiões da legalidade burguesa, mas apenas ao movimento revolucionário, aos/às companheirxs e ao povo que prefere não viver como escravo.
Considero esta primeira comunicação com o exterior essencial, já que não tenho ilusões sobre a minha prisão preventiva.

Por enquanto, estou cativo nas mãos dos servos do Capital, mas o meu coração permanece no campo da revolução.

A luta continua.
Viva a revolução.
Viva a Anarquia.

Antonis Stamboulos
Avenida Alexandras 173 (sede central da polícia)
4 de Outubro de 2014

 

Notas dxs tradutorxs:
* Enquanto o companheiro – que foi preso no distrito de Vyronas, Atenas – ainda não tinha sido identificado, o chefe da polícia afirmou publicamente que uma das “provas” mais marcantes foram as notas manuscritas consideradas palavras de código para explosivos.

day-of-action-oct11

retirado de contrainfo

México: Atualização do estado de saúde dos 4 compas em greve da fome

 

 México: atualização do estado de saúde dos 4 compas em gerve da fome

“Se me perguntassem o que é a prisão, responder-lhes-ia sem hesitar que é a lixeira de um determinado projeto socio-económico, à qual atiram todas aquelas pessoas que incomodam na sociedade: por isso, a prisão alberga pobres, principalmente”– Xosé Tarrio

“Um movimento que esquece xs seus/suas presxs está condenado ao fracasso”– Harold Thompson

Desde 1 de outubro encontram-se em greve de fome ilimitada os companheiros anarquistas Jorge Mario González, Carlos López “Chivo”, Fernando Bárcenas e Abraham Cortés, em diferentes centros de reclusão da cidade do México.

Passados 4 dias de iniciada a greve, fazemos uma chamada à solidariedade com a luta que estão a levar a cabo os companheiros, combatendo a sociedade prisional no coração dela mesmo.

Não pretendemos convertê-los em heróis, muito menos cair num discurso vitimista. Entendemos que, apesar do os terem privado da liberdade dos seus corpos, as suas ideias e sonhos de uma sociedade livre de dominação e exploração continuam livres.

A sua luta é a nossa, repudiamos juntamente con elxs todos os mecanismos de controlo e dominação desta sociedade-prisão.

Neguemos a prisão e, juntamente com ela, o sistema ao qual pertence.

Pela reapropriação das nossas vidas!
Abaixo os muros das prisões!
Liberdade a todxs!

Mario González (Torre Médica de Tepepan): Até agora os sinais são bons, físicamente, mas há alerta pelo pâncreas e fígado, está cansado, tonturas ao levantar, mas alegre e tranquilo. É observado três vezes por dia médicos da instituição, tentando provar que não está em greve de fome.

Abraham Cortes e Fernando Bárcenas Castillo (Reclusório Norte): Encontram-se ambos na área de ingresso do reclusório, são observados três vezes ao dia pelos médicos da penitenciária. Ambos apresentam perda de peso e fadiga, mas encontram-se determinados.

Carlos López Marín (Reclusório Oriente): Foi transferido da área geral, onde se encontrava, à área de ingresso. Apresenta debilidade e tonturas leves, além de perda de peso ligeira. É levado três vezes ao dia à enfermaria da prisão. Tem estado sob pressão dos guardas e de outros presos para acabar com a greve, no entanto continua a manter-se firme.

Actividades solidárias:

Terça-feira, 7 de Outubro:  Concentração solidária no Reclusório Norte: 14:00

Domingo, 12 de Outubro:  Caminhada anti- carcerária. Da Torre Médica de Tepepan ao Reclusório Oriente: 14:00

 

retirado de contrainfo

México: Companheiros presos declaram greve da fome

México: Companheiros presos declaram greve da fome

Aos media livres
Aos povos do mundo
Axs oprimidxs

Impulsados por um sentimento de rebeldia, uma recusa declarada e verdadeiro repúdio a todos os mecanismos de controle – entre eles o sistema penitenciário – nós, indivíduos anarquistas e libertários, na nossa condição de presos sequestrados pelo Estado mexicano, decidimos exercer uma das poucas ferramentas de luta de que nos podemos valer a partir da prisão: a greve da fome, a partir de hoje, 1 de Outubro, passado um ano das detenções de 2 de Outubro de 2013, 10 meses do sequestro de Fernando Bárcenas e 9 meses dos de Amelie, Carlos e Fallon.

Para nós a greve não é sinónimo de debilidade nem procuramos cair numa postura de vitimização, pelo contrário, assumimos a greve como uma alternativa de luta que consideramos propícia para ser lançada, numa lógica de protesto e insubmissão, perante o encarceramento dos nossos corpos assim como perante a humilhação, isolamento e frustração que significam estarmos recolhidos nestes centros de terror. Optamos por passar à ação em vez de aceitar a prisão como algo “normal”.

O Estado procura formar cidadãos dóceis e servis para manter a sua “ordem social” e poder, de forma a sustentar a estrutura de produção capitalista que só é benéfica à classe dominante. As prisões têm um papel primordial na configuração destes bons cidadãos. É à sociedade burguesa que, na realidade, se procura que o/a presx se readapte.

Recusamos a suposta função reintegradora que a prisão pode trazer às nossas vidas. Não só não a consideramos útil como até a achamos amplamente prejudicial! É por isso que decidimos continuar com as nossas lutas para a destruirmos, começando por pequenas ações de negação e desconhecimento da sua influência nas nossas vidas.

Declaramos esta greve da fome por tempo indeterminado, sem petição ou demanda alguma. Não pretendemos melhorias, no cárcere ou nas nossas condições, trata-se de ignorar a sua função nas nossas vidas, actuando de maneira coordenada e solidária.

A partir da nossa ação, acompanhamos o protesto do 2 de Outubro, passados 46 anos do genocídio em Tlatelolco, sem esquecer nem perdoar e fazendo a guerra até ao fim da opressão.

Nunca deixaremos de aspirar à nossa liberdade!
Não abandonaremos a luta por ela!

Jorge Mario González García (Torre Médica do Reclusório de Tepepan)

Carlos López “El Chivo” (Reclusório Oriente)

Fernando Bárcenas Castillo (Reclusório Norte)

Abraham Cortes Ávila (Reclusório Norte)

_____________________________________________________

Nota de Contra Info:  Mario González e Abraham Cortes foram detidos a 2 de Outubro de 2013, na sequência das comemorações combativas relativas ao massacre de Tlatelolco de 1968. Mario González foi condenado a 5 anos e 9 meses de prisão acusado de ataques à paz pública, enquanto que Abraham Cortes  foi condenado a 13 anos de prisão, acusado de tentativa de homicídio.

Fernando Bárcenas Castillo  foi detido a 13 de Dezembro de 2013, na sequência dos protestos contra o aumento do preço dos bilhetes de metro na Cidade do México. Desde então encontra-se em prisão preventiva, acusado de queimar a árvore de Natal da empresa Coca-Cola.

Carlos López Marin foi detido juntamente com Amelie Pelletier e Fallon Poisson, a 5 de Janeiro de 2014, por participação no ataque com pedras e cocktails Molotov às instalações da Secretaria de Comunicações e Transportes assim como à concessionária da NISSAN, na Cidade do México; foram postxs em prisão preventiva, acusadxs sob a lei antiterrorista. A 17 de Fevereiro de 2014  as acusações de terrorismo caíram, mas manteve-se a medida de prisão preventiva, visto estarem pendentes as acusações de danos materiais e ataques à paz pública. O seu julgamento iniciou-se a 3 de Abril de 2014embora a 16 de Maio de 2014 se tornar público que xs três compas teriam de enfrentar dois processos penais distintos: um, do foro local, pelo ataque à concessionária Nissan e outro, do foro federal, pelo ataque à Secretaria de Comunicações e Transporte. Segundo as actualizações existentes até ao momento, a última audiência do primeiro julgamento, foi realizada a 16 de Junho de 2014,  sem que tivessem sido ditadas as sentenças, mantendo-se em aberto a data do segundo julgamento.

Retirado de: Contrainfo